Nenhuma peça começa numa oficina. Começa num rio, ou ribeira, meses antes, e só chega a uma cadeira, banco ou candeeiro depois de passar por quatro fases que não se podem apressar.
Maio, Junho e Julho são os únicos meses em que se pode colher o buinho — o resto do ano é secagem, empalhamento e montagem daquilo que foi colhido nesses três meses.
Em Maio, Junho e Julho, ainda verde, o buinho é cortado à mão junto às margens dos rios e ribeiras. É trabalho de poucos meses, feito de manhã cedo, e determina sozinho quantas peças conseguimos fazer no ano inteiro — não há forma de comprar mais buinho depois disto.
Estende-se ao sol, para secar por igual, e vira-se ao fim de alguns dias para que o lado de baixo apanhe o mesmo sol. Depois seca-se, para não perder a cor natural, e só então é escolhido caule a caule e atado em molhos e armazenado de modo a não apanhar humidade.
Aqui é que entra a mão mais lenta do processo: o empalhamento, fio a fio, do assento. Uma cadeira normal leva um dia inteiro só nesta fase — um cadeirão pode levar dois ou três.
A estrutura de madeira é cortada e montada antes do empalhamento, e a peça só sai da oficina depois de passar pelas mãos dos dois artesãos da família. Entregamos quando fica pronta.